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WALTER BENJAMIN - A POBREZA DA EXPERIÊNCIA

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“Pois qual o valor de todo o nosso patrimônio cultural, se a experiência não mais o vincula a nós?” Apresentação Dando continuidade ao nosso percurso de estudos sobre a condição humana na contemporaneidade, escolhemos para a próxima reunião do AA Estudo o ensaio Experiência e pobreza , escrito em 1933 pelo filósofo e crítico cultural alemão Walter Benjamin (1892–1940). Nossa trajetória de leituras vem procurando compreender as contradições do mundo contemporâneo e suas consequências para a existência humana. Com Byung-Chul Han, refletimos sobre a sociedade do desempenho, o cansaço e a dificuldade de encontrar espaços para o descanso e a contemplação. Com Zygmunt Bauman, examinamos a fragilidade dos vínculos humanos e as incertezas de uma sociedade marcada pela fluidez e pela instabilidade. Com Ailton Krenak, fomos convidados a questionar a própria ideia de humanidade construída pela civilização moderna, particularmente sua relação predatória com a natureza e seu afastamento de outras f...

KRENAK: O AMANHÃ NÃO ESTÁ À VENDA

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Será que constituímos realmente uma humanidade? A palavra sugere pertencimento comum, mas nossas sociedades convivem com enormes desigualdades e historicamente relegaram indígenas, quilombolas, populações tradicionais e outros grupos a uma condição de “sub-humanidade”. A crítica de Krenak, portanto, não se limita à relação homem-natureza: alcança a própria maneira pela qual determinados grupos humanos foram excluídos da ideia moderna de humanidade. OBRA A SER LIDA E DISCUTIDA KRENAK, Ailton. O amanhã não está à venda . São Paulo: Companhia das Letras, 2020 LINK AO TEXTO DE KRENAK https://acervo.socioambiental.org/sites/default/files/documents/kql00004.pdf  PERGUNTAS GERADORAS DA DISCUSSÃO A concepção de humanidade Ao questionar se constituímos de fato uma “humanidade”, que concepção alternativa de ser humano podemos identificar em Krenak? O que mudaria na educação, na formação das novas gerações e em nossas práticas de leitura se compreendêssemos o humano não como centro do mundo...
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  CAPURRO: uma aproximação Ezequiel Theodoro da Silva (agosto 2026) Da inteligência artificial às “inteligências artificiais”: que lugar resta ao humano? Capurro desloca a pergunta clássica — “as máquinas podem pensar?” — para uma questão mais ampla: como seres humanos e diferentes formas de inteligência artificial passam a coexistir e a constituir conjuntamente o mundo social? A IA deixa de ser apenas uma ferramenta externa e passa a integrar nossas formas de trabalhar, comunicar, decidir, conhecer e interpretar a realidade. Estamos diante de uma inteligência cada vez mais distribuída entre pessoas, máquinas, redes e instituições . O problema decisivo, portanto, não é descobrir se a máquina será ou não tão inteligente quanto o ser humano. É perguntar o que acontece com o próprio ser humano quando parcela crescente de suas escolhas, conhecimentos e relações passa pela mediação de sistemas artificiais . A questão da IA transforma-se, assim, numa questão antropológica: quem est...

AILTON KRENAK - PENSAR A VIDA PARA ADIAR O FIM DO MUNDO

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Ailton Krenak é escritor, pensador, ambientalista e uma das mais importantes lideranças indígenas brasileiras contemporâneas. Nascido em 29 de setembro de 1953, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, pertence ao povo Krenak, cuja história está profundamente ligada ao rio Watu — nome dado pelos Krenak ao Rio Doce. Sua trajetória intelectual e política é marcada pela defesa dos povos originários, da diversidade cultural e de uma relação radicalmente diferente entre os seres humanos e a Terra. Krenak tornou-se nacionalmente conhecido durante a Assembleia Nacional Constituinte, em 1987. Em um pronunciamento histórico no Congresso Nacional, enquanto defendia os direitos dos povos indígenas, pintou lentamente o rosto com tinta preta de jenipapo, num gesto de luto e protesto. Sua atuação integrou a mobilização que resultou no reconhecimento dos direitos dos povos indígenas na Constituição de 1988. Nas últimas décadas, sua atuação como liderança política ampliou-se para o campo da literatura e...

UMA SÍNTESE - BAUMAN & CHUL RAN

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A prisão invisível do Eu: como a modernidade líquida de Bauman desaguou no burnout de Byung-Chul Han Há uma linha de continuidade particularmente fecunda entre o diagnóstico da modernidade líquida, de Zygmunt Bauman, e a análise da sociedade do desempenho, de Byung-Chul Han. Embora pertençam a gerações e tradições intelectuais distintas, ambos procuram compreender um paradoxo decisivo do nosso tempo: quanto mais o indivíduo contemporâneo se acredita livre, mais parece submetido a formas invisíveis de insegurança, cobrança e controle. Em Bauman, encontramos a dissolução das estruturas que ofereciam estabilidade à existência; em Han, observamos o passo seguinte: o indivíduo, aparentemente libertado dessas estruturas, transforma-se em seu próprio vigilante, patrão e explorador. Da solidez à liquidez Bauman utiliza a metáfora da liquidez para explicar a condição humana ao longo da transformação histórica. A modernidade anterior apoiava-se em instituições relativamente sólidas: emprego dura...

A CONDIÇÃO HUMANA NA ERA DAS INTELIGÊNCIAS ARTIFICIAIS

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Rafael Capurro (1925-2026) é um filósofo e pesquisador germano-uruguaio, reconhecido internacionalmente como um dos fundadores da Ética da Informação. Doutor em Filosofia, desenvolveu sua carreira acadêmica principalmente na Alemanha, atuando em áreas como Ciência da Informação, Filosofia da Tecnologia, Hermenêutica e Ética Digital. Desde a década de 1970 participou dos debates internacionais sobre inteligência artificial, documentação científica e tecnologias da informação. Fundou, em 1999, o International Center for Information Ethics (ICIE), que se tornou uma das principais redes mundiais de pesquisa sobre ética da informação. Sua produção aproxima filosofia, tecnologia e responsabilidade social, defendendo que as inovações digitais devem ser compreendidas não apenas como instrumentos técnicos, mas como fenômenos culturais que transformam profundamente a vida humana, a sociedade e a própria compreensão do que significa ser humano.  VISÃO GERAL DO TEXTO DE ESTUDO FONTE: ...

REPRESENTANDO BAUMAN - PROTEU

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  Proteu: o deus que nunca permanecia o mesmo Do mito grego à modernidade líquida de Zygmunt Bauman Ezequiel Theodoro da Silva Conta a antiga tradição grega que, muito antes de os homens dominarem os mares, existia um velho deus chamado Proteu . Filho de Poseidon, ele não era o mais poderoso entre os deuses do oceano, mas talvez fosse o mais enigmático. Habitava uma pequena ilha cercada por águas profundas, onde conduzia os rebanhos de focas marinhas pertencentes ao senhor dos mares. Todas as tardes, quando o sol descia lentamente em direção ao horizonte, Proteu conduzia os animais para descansar sobre as pedras aquecidas pela luz do dia. Então ele próprio adormecia, embalado pelo rumor das ondas.   Proteu possuía um dom extraordinário: conhecia o passado, compreendia o presente e podia enxergar o futuro . Nada escapava à sua sabedoria. Os ventos, os destinos dos navegantes, as guerras, os amores, as tragédias e os reencontros estavam todos inscritos em sua memória. Entr...

JUNHO - BAUMAN - “Os tempos são líquidos porque tudo muda tão rapidamente que nada parece conservar sua forma por muito tempo.”

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  Na tela passa o saber, veloz como correnteza, Serve ao instante, à urgência, à pequena incerteza. Mas o que logo se consome também logo se desfaz, E o conhecimento profundo nem sempre encontra lugar. Zygmunt Bauman (1925–2017) foi um dos mais influentes pensadores contemporâneos. Sua obra ajudou a compreender as profundas transformações da vida moderna, especialmente por meio do conceito de modernidade líquida , que descreve um mundo marcado pela velocidade, pela instabilidade e pela fragilidade dos vínculos humanos. Suas reflexões impactam áreas como educação, cultura, política e relações sociais, convidando-nos a pensar criticamente sobre os desafios de viver em uma sociedade em constante mudança. Ler Bauman é refletir sobre quem somos, como nos relacionamos e quais valores desejamos preservar em tempos de incerteza . >>> ACESSO AO TEXTO   https://direito.ufrj.br/wp-content/uploads/2025/09/Modernidade-Liquida-cap.01-Emancipacao-Bauman.pdf   Perguntas ge...

MAIO – O cansaço de pensar (ou de não pensar?)

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Vivemos menos a experiência e mais o excesso -  inclusive na leitura.... Colegas, iniciamos hoje uma pequena experiência coletiva: uma leitura por mês, curta, provocadora e compartilhada . Vivemos tempos de excesso — de informações, tarefas, estímulos. Mas será que ainda conseguimos ler com profundidade? Para começar, trago um capítulo de um livro do filósofo Byung-Chul Han .  Texto indicado Capítulo 7 da obra A Sociedade do Cansaço. ATENÇÃO - O livro tem só 52 páginas. Se você se encantar, recomendo que vocês façam a leitura integral da obra.  Link para acesso:  http://psico.cinead.org/wp-content/uploads/2021/10/HAN_BYUNG_CHUL_Sociedade-do-cansac%CC%A7o.pdf Leitura rápida. E, quem sabe, transformadora. Escreva e troque comentários aqui no blog - assim a gente vai aprendendo juntos.                   Para pensarmos e conversarmos ao longo deste mês de maio: Você se reconhece nessa ideia de “cansaço permanente”? Hoje lemos…...

PROJETO - COMUNIDADE DE LEITURA E DIÁLOGO

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  Justificativa   O grupo de WhatsApp do ALLE-AULA, composto por 62 membros, entre pesquisadores, professores e estudantes de diferentes cidades, já cumpre uma função importante de comunicação e circulação de informações. No entanto, pode tornar-se também um espaço formativo mais vivo, capaz de fortalecer vínculos intelectuais e humanos entre seus integrantes. A leitura compartilhada de textos curtos, seguida de interlocuções abertas, permite ativar aquilo que está no cerne do próprio grupo: a reflexão sobre a cultura escrita, a formação de leitores e o trabalho docente.   Em tempos marcados pela dispersão informacional e pela comunicação fragmentada, criar um ritmo comum de leitura e conversa pode favorecer a construção de uma comunidade de sentido, na qual o conhecimento não apenas circula, mas é apropriado, debatido e ressignificado coletivamente. Trata-se, portanto, de transformar o grupo em um espaço de convivência intelectual, superando distâncias geográficas e ...